Saturday, June 16, 2007

Os “tem que ser”…

Enquanto esperava a companhia para o café, de alguém que uma hora antes havia respondido telefonicamente ao “Olá! Como estás?” com o tal “Vai-se andando…”, sem dar por ela, volta à questão dos “tem que ser..”
Estamos cheios deles!!! É em tudo e por tudo e por nada…
Vulgarmente nos deixamos deambular nos mecanicismos que surgem dos “tem que ser”… é até cómodo por vezes, entrar nas rotinas que surgem quase sem darmos por elas… depois entra-se no comum estado do “vai-se andando”… a resposta mais comum quando se pergunta: “como estás?“
Uma resposta vaga, do “nem bem nem mal”, do conformismo, da insatisfação e da frustração…
Nos tempos que correm, tornou-se a resposta mais vulgar, seja por que motivos forem.
Na realidade, entra-se mesmo em mecanicismos que praticamente anestesiam as vivências: “vai-se andando!”…
E nas relações?… entra-se nos “tem que ser” e quando se dá por ela, deixaram-se cair em rotinas, em banalidades…deixa-se de “fazer acontecer” para deixar “ir acontecendo”… esquece-se que é preciso cuidar e alimentar, e a fase entre princípio e fim, o chamado “meio”, acaba por ser uma letargia lacónica em que se “vai andando” empurrado por hábitos, rotinas e outros “tem que ser”…Depois surgem as interrogações em retrospectiva, por memórias que assumem importância em fase póstuma, ou em considerações de “e se?…” que em fase de velório e funeral perdem qualquer sentido…

- Boas!! Já pediste o café?

(Devaneios interrompidos pela companhia que acaba de chegar)

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